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Dia Zero - 01/12/2025 - "Do Caos ao Cosmos: Por que fechar o ano encarando o Caos de frente?"

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WEBINAR - Do CAOS ao COSMOS: os 7 Portais da Criação

Co-criando o ano que você deseja e merece!

 

Artigo do Dia Zero - 01/12/2025

Do Caos ao Cosmos: "Por que fechar o ano encarando o Caos de frente?"

Texto de Márcia Christovam (Psicóloga e Neuropsicóloga)

 

Antes de falar de metas, mapas e planejamento, eu quis te receber num outro lugar: aquele cantinho da alma onde a gente costuma evitar olhar. Em vez de começar pelo “Haja luz”, paramos um pouco antes, naquele verso de Gênesis que diz que “a terra estava sem forma e vazia”.

Esse “dia zero” da jornada Do Caos ao Cosmos: os 7 portais da criação virou quase um rito de passagem:
antes de criar o 2026 que desejamos, precisamos ter coragem de olhar para o que 2025 foi de verdade — na alma, na casa, no corpo, no coração.

É como acender uma luz suave no quarto bagunçado: não para se culpar pela bagunça, mas para começar, enfim, a arrumar.

 

1. O mito da criação como espelho da nossa vida

Tomamos como fio condutor os sete dias da criação do mito judaico-cristão, tal como aparecem no livro de Gênesis, sagrado para judeus e cristãos.

A lógica é simples e, ao mesmo tempo, profundamente simbólica:

  • Se somos imagem e semelhança de Deus, também carregamos em nós um poder criador.
  • Deus cria o mundo em etapas, com ordem, com palavra, com intenção.
  • Nós, como co-criadoras da nossa realidade, também podemos aprender a criar a nossa vida com mais consciência.

Quando lemos esse mito não como história literal, mas como espelho de processos internos, nasce uma pergunta que acompanha toda a jornada:

Que universo eu construí em 2025 e que universo eu quero construir em 2026?

Não é sobre perfeição. É sobre perceber se o “mundo” que habitamos hoje — relações, rotina, trabalho, cuidado consigo — é um lugar onde a nossa alma consegue respirar.

 

2. Caos: do abismo à desordem interna

A palavra “caos”, na origem grega, fala de abertura, abismo, vácuo: um espaço sem forma, sem contorno, sem clareza. Com o tempo, no nosso vocabulário, ela ganhou o sentido de:

  • desordem,
  • confusão,
  • conflito,
  • excesso.

Na aula, eu pedi que cada pessoa “medisse” o próprio caos de 2025 numa escala de 0 a 10.
0 seria paz absoluta; 10, caos total.

As notas ficaram altas — e a minha também. Eu compartilhei que meu ano foi 9,8 em termos de turbulência emocional, a ponto do corpo responder com aumento da pressão arterial. Não é pouca coisa.

Mas, em vez de usar essa escala para alimentar drama, usamos para algo mais sagrado: consciência.

Olhar para o próprio caos é como abrir uma janela num quarto fechado há anos: entra luz, entra ar… e junto vem a poeira que se levanta. Dá trabalho, mas é assim que a vida começa a se reorganizar.

 

3. Por que é tão difícil encarar o próprio caos?

Ao longo do encontro, conversamos sobre um movimento muito humano: a tentativa de fugir do diagnóstico, da verdade, do óbvio doloroso.

Falamos sobre:

  • Pais que demoram a buscar ajuda quando o filho apresenta sinais de atraso no desenvolvimento, mesmo com a escola e os profissionais sinalizando.
  • Pessoas que evitam olhar para uma traição que “todo mundo já vê”.
  • Relações tóxicas em que a alma sabe que está adoecendo, mas é mais “seguro” fingir que não.

Por quê?

Porque olhar o caos exige posicionamento.

Se eu reconheço que:

  • meu casamento está me machucando,
  • meu trabalho está me adoecendo,
  • minha rotina está insustentável,

eu automaticamente sou convidada a mudar algo. E mudança, mesmo quando necessária, dá medo.

Por isso escolhi dedicar um encontro inteiro ao caos — não como castigo, não como fracasso, mas como momento inaugural da criação. É daquele “sem forma e vazio” que o novo universo começa a surgir.

 

4. O poder da palavra: “Abracadabra” e os 10 “Haja”

Outro eixo fundamental da aula foi o poder criador da palavra.

Trouxemos a palavra “Abracadabra”, tão presente em histórias de magia, mas com raízes antigas no hebraico e no aramaico. Em muitas interpretações, ela carrega a ideia de:

“Eu crio enquanto falo.”

É a mesma lógica de Gênesis:

“E disse Deus: haja… e houve.”

Ao longo do relato da criação, são dez momentos em que Deus diz “haja” e algo passa a existir. São, simbolicamente, dez abracadabras divinos.

Quando olhamos para isso com olhos de alma, nasce um convite:

  • Que tipo de mundo eu tenho criado com aquilo que eu falo sobre mim, sobre o outro e sobre a vida?
  • Quais frases eu tenho repetido ao longo do ano?
  • Minhas palavras alimentam mais cosmos (ordem, sentido, cuidado) ou reforçam o caos (culpa, desqualificação, desesperança)?

Cada vez que digo “eu não dou conta”, “nada dá certo pra mim”, “eu sou um problema”… eu também estou lançando um “haja” sobre a minha história. E o contrário também é verdadeiro: cada “eu estou aprendendo”, “eu posso pedir ajuda”, “eu mereço descanso” também é palavra que cria mundo.

 

5. O caos como lugar de gente grande

Uma das frases que mais tocou o grupo foi:

“O caos não é lugar pra criança; o caos é lugar pra gente grande.”

Isso não significa que a nossa criança interior não importe. Pelo contrário: eu mesma contei como 2025 me levou a reencontrar dores antigas, histórias da infância, feridas que ainda ecoavam e precisavam de colo.

Mas, quando o caos chega, é a nossa parte adulta que precisa assumir o leme:

  • Se eu apenas sento e me desespero, o caos me engole.
  • Se eu me posiciono como adulta, começo a perguntar:
    • “O que este momento está tentando me mostrar?”
    • “Que ciclos pedem encerramento?”
    • “Que limites e decisões eu ainda não tive coragem de tomar?”

O caos deixa de ser apenas um buraco negro e passa a ser um laboratório de sabedoria, onde os pedaços que quebraram revelam o que já não cabia, o que já não sustentava a vida.

 

6. Zero: o número do caos, do início e da confiança

Aqui aproximamos duas linguagens simbólicas que dialogam: a cabala e o tarô.

  • Na cabala, fala-se das dez primeiras emanações (sefirot) ligadas aos “haja” da criação.
  • No tarô, as cartas numeradas de 1 a 10 mostram etapas, processos, caminhos que se desdobram.

Mas antes do 1, há o 0.

No tarô, o zero é o Louco:

  • Ele está na beira de um precipício.
  • Se estiver inconsciente, pode cair.
  • Mas ele também representa a confiança de quem caminha sem ter todas as respostas, acreditando que o caminho se fará à medida que ele avança.

Zero é o antes de tudo.
É aquele momento da vida em que a gente diz: “Eu não tenho a menor ideia de como isso vai ficar… mas algo dentro de mim sabe que eu preciso continuar.”

Quando vem um diagnóstico difícil, quando nasce uma criança fora do esperado, quando o casamento racha, quando o trabalho implode — é zero. A história ainda não tomou forma. É justamente aí que o mistério age.

Por isso o zero é tão potente:

  • Antes dele, nada.
  • Depois dele, tudo pode se multiplicar: 1 vira 10, vira 100, vira 1000.

No caos, somos convidadas a essa postura do “Louco-leve”:

“Eu vou caminhar, e o caminho vai se fazer enquanto eu caminho.”

Não se trata de irresponsabilidade, mas de confiança: eu faço a minha parte, e o resto eu entrego.

 

7. Controle, entrega e a tal “proteção do acaso”

Outro ponto profundo foi questionar a ideia de que “tudo depende do meu controle”.

Trouxemos a música Epitáfio, dos Titãs:

“O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído…”

Na aula, eu associei esse “acaso” à providência divina. Não é sobre uma força aleatória, mas sobre um cuidado que ultrapassa a nossa capacidade de planejamento.

Quando as certezas desmoronam, quando os planos não funcionam, quando a vida foge do script, algo maior nos convida a:

  • Fazer o que está nas nossas mãos.
  • Reconhecer o que não está.
  • E, delicadamente, descansar nisso.

No caos:

  • Eu caminho, escolho, reviso, peço ajuda, respondo ao que a vida me pede.
  • E também reconheço: eu não dou conta de tudo. Há momentos em que a única oração possível é “Mostra-me”.

É nesse espaço entre o meu limite e o cuidado do mistério que muita coisa se reorganiza.

 

8. O Mapa Emocional do Caos: uma ferramenta de autoavaliação

Para que essa reflexão não ficasse somente no plano das ideias, apresentei o Mapa Emocional do Caos – um mini-teste autorreflexivo com 24 questões, distribuídas em 6 blocos:

  1. Sobrecarga – Com que frequência você se sentiu sobrecarregada em 2025?
  2. Desorganização interna – Quantas vezes você se sentiu bagunçada por dentro, sem foco, sem rumo?
  3. Impotência e desânimo – Em quantos momentos parecia que não havia energia para seguir?
  4. Perder de si mesma – Em que medida você se percebeu afastada de quem é de verdade?
  5. Culpa e inadequação – Com que frequência se sentiu errada, insuficiente, “aquém do que deveria”?
  6. Ansiedade e tensão – Quantas vezes seu corpo e sua mente ficaram em estado de alerta constante?

Alguns pontos importantes:

  • Ele não é um teste psicológico clínico, e sim uma ferramenta de autoconhecimento, criada como presente exclusivo desta jornada.
  • Você pode usá-lo sozinha, como diário de reflexão, ou levá-lo para a psicoterapia, para aprofundar esse olhar com ajuda profissional.

O objetivo é muito simples e, ao mesmo tempo, transformador: dar nome ao caos.

Quando eu sei se o meu caos tem mais a ver com sobrecarga, desorganização, culpa, ansiedade ou perda de si, eu deixo de ser apenas “uma pessoa caótica” e passo a ser alguém que está atravessando um processo específico — e processos podem ser cuidados, acompanhados, ressignificados.

 

9. Do caos ao cosmos: o ponto de partida

Encerramos o “dia zero” com um convite muito amoroso:

  • Reconhecer a nota do seu caos em 2025.
  • Admitir, com gentileza, o que doeu, o que desorganizou, o que te levou para a beira do abismo.
  • Aceitar que talvez você ainda não saiba “como” será 2026 — e tudo bem não saber.

Porque:

“Do caos vem o cosmos.”

Os próximos encontros da jornada vão abrir, um a um, os sete portais inspirados nos dias da criação, começando pelo “Haja luz”. Cada portal é uma chave para que você co-crie, junto com o divino, um 2026 mais alinhado com aquilo que sua alma deseja viver.

Mas a ordem importa:

  • Antes da luz, vem o olhar honesto para a escuridão.
  • Antes do plano, vem o silêncio do zero.
  • Antes do cosmos, vem o caos contemplado com coragem e ternura.

Se você chegou até aqui, respira um pouco. Talvez seja a hora de perguntar, com sinceridade e carinho:

  • O que o meu caos está tentando me ensinar?
  • De que forma ele está me chamando a crescer, concluir ciclos, escolher outros caminhos?

Você não precisa atravessar isso sozinha.
A partir daqui, seguimos juntas: do caos ao cosmos, um passo consciente de cada vez, com a alma presente em cada escolha.

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