~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~

“Haja Luz: o primeiro sim da alma em meio ao caos”
Quando a gente fala em “planejar o ano”, quase sempre pensa direto em metas, planilhas, hábitos, lista de coisas pra fazer. Mas, se você parar pra olhar com carinho, vai perceber: os anos em que mais nos perdemos não foram aqueles sem metas… foram aqueles em que a alma foi vivendo no escuro.
Por isso, antes de falar de produtividade, planner e objetivos para 2026, nessa jornada Do Caos ao Cosmos eu escolhi começar de outro lugar: o caos e, hoje, a primeira chave da criação – o “Haja Luz”.
Ontem nós falamos do dia zero, esse lugar em que a vida da gente parece aquela frase de Gênesis: “a terra estava sem forma e vazia”.
É quando você só sabe que está bagunçado: cansaço, dívidas, conflitos, sintomas do corpo, relações emboladas, mas sem conseguir ver com clareza o que é o quê.
Na live, muita gente deu nota alta quando eu perguntei:
“De 0 a 10, quão caótico foi o seu 2025?”
Para algumas pessoas, o caos foi sobrecarga:
– dizer “sim” quando precisava dizer “não”;
– assumir mais peso do que dava conta;
– não respeitar o corpo, nem o tempo.
Para outras, o caos tinha a ver com desorganização interna: a sensação de que as coisas até poderiam ser diferentes, mas faltava estrutura, prioridade, clareza para colocar ordem.
Teve também quem se reconheceu no caos da impotência e do desânimo:
– “faço, faço e parece que nada muda”;
– “nado, nado e não chego na praia”.
E ainda o caos de perder-se de si:
tanto tempo se adaptando a todo mundo – marido, filhos, trabalho, família – que, quando alguém pergunta “o que vocêquer?”, vem um grande “não sei”.
Sem falar no combo culpa + inadequação e no caos silencioso da ansiedade e tensão constantes, aquele estado de alerta que nunca desliga.
O que eu quis mostrar com o Mapa Emocional do Caos é justamente isso:
caos não é prova de fracasso, é um chamado.
É um pedido da vida dizendo: “Ei, alguma coisa aqui precisa de luz.”
Eu comentei na live que caos não é lugar pra criança, é lugar pra gente grande.
Dentro de mim existem muitas Márcias, como dentro de você existem muitas “você”. Mas quem precisa ser chamada pra olhar o caos é a parte adulta, não a parte amedrontada.
Usei o símbolo do Arcano 0 – O Louco:
ele caminha leve, com uma sacolinha pequena, quase na beira de um precipício. Tem um cachorro latindo ao lado, o sol brilhando.
Dependendo de como ele se posiciona, pode cair por imprudência… ou pode seguir adiante confiando, mesmo sem ter todas as respostas.
O zero é esse lugar:
– não sei o que vai acontecer,
– não tenho controle,
– só sinto que do jeito que está, não dá mais.
É o momento em que a vida pede que a gente pare de brigar com o caos e, de certa forma, aceite: “eu não dou conta de controlar tudo”. E isso é duro pra todos nós que fomos educados a acreditar que, se formos bons o suficiente, controlaremos tudo.
É exatamente desse lugar caótico que surge a primeira frase da criação:
“E disse Deus: Haja luz.”
E aqui tem um detalhe lindo:
quando o texto fala de “luz”, ainda não existem sol, lua e estrelas. Esses astros só aparecem lá pelo quarto dia. Essa primeira luz é outra coisa: é uma claridade primordial, uma primeira consciência.
Na linguagem da alma, eu chamo isso de:
o primeiro sim interno.
É aquele momento em que você diz, às vezes quase cochichando:
“Eu tô cansada do jeito que está.”
“Eu não quero mais viver assim.”
“Eu não sei como mudar, mas eu quero mudar.”
Essa é a primeira luz.
Ela não arruma o caos, ela não paga as dívidas, não organiza a agenda, não cura o corpo. Mas ela abre os olhos.
Eu trouxe na live a origem da palavra consciência:
vem do latim conscientia – con = “junto, com”; scientia = “conhecimento”.
Consciência é, literalmente, “saber junto”:
é você saber junto consigo mesma o que está acontecendo de verdade;
é você se permitir saber junto com outra pessoa – uma amiga, um terapeuta, um grupo – o que antes você fingia não ver.
Quando a consciência chega, o caos não desaparece como num passe de mágica. A casa continua bagunçada. A diferença é que agora você acendeu a luz:
vê a bagunça, sabe onde está e pode começar a escolher por onde começar.
Na tradição do Tarô, a energia desse “Haja Luz” conversa com o Arcano I – O Mago.
Ele aparece com um símbolo de infinito acima da cabeça e uma mesa na frente, sobre a qual estão quatro objetos:
uma espada,
um cálice,
uma moeda de ouro,
um bastão de madeira.
Esses quatro objetos representam os quatro elementos que você precisa chamar pra mesa quando diz “Haja Luz” na sua vida:
Espada – pensamentos, ideias
É a mente: “Eu tenho uma ideia de um 2026 melhor. Ainda não sei como, mas desejo.”
É o momento de perceber quais pensamentos você anda nutrindo:
– são pensamentos de possibilidade ou de derrota antecipada?
Cálice – emoções, sentimentos
É o seu mundo afetivo.
Como está o seu cálice?
– Transbordando de mágoa, raiva, exaustão?
– Seco, sem alegria, sem entusiasmo há anos?
“Haja luz” aqui é começar a perceber: “Eu estou indo além do meu limite emocional e fingindo que está tudo bem.”
Moeda – corpo, matéria, vida concreta
É o corpo que adoece, o sono que não vem, os exames que você não faz, o check-up que empurra há anos.
É a conta bancária que você não abre porque tem medo de olhar.
Haja luz é isso:
– abrir o aplicativo do banco,
– marcar a consulta,
– admitir que o corpo está pagando um preço.
Bastão – ação, gesto no mundo
Vem por último.
Primeiro eu acendo a luz na mente, nas emoções, no corpo.
Depois, a ação flui de um lugar mais alinhado: não como reação desesperada, mas como gesto consciente.
O Mago é esse ponto em que o Infinito toca a sua cabeça e diz:
“Você não sabe ainda como, mas você pode começar.
Pegue seus elementos, coloque sobre a mesa e olhe para eles com verdade.”
Na live eu contei a história do meu avô, que passou cinco anos acamado depois de três AVCs. Foi definhando, perdendo movimento, lucidez, autonomia. E minha avó, muito apegada, sofria e segurava, segurava, segurava.
Um dia, numa conversa em família, meu marido falou com ela com muito carinho:
“A senhora sabe que ele não vai partir enquanto a senhora não permitir, né?”
Naquele domingo, ela chorou, lutou com isso dentro dela, e conseguiu fazer uma oração:
não uma oração de “Deus, leva ele embora”,
mas uma oração de entrega:
“Que a vontade de Deus seja feita. Eu permito.”
No dia seguinte, meu avô partiu serenamente, em casa, sem piora brusca, sem drama.
Por que trago isso aqui?
Porque o “Haja Luz” também é isso:
a consciência de que o meu apego pode estar segurando processos que já pedem um fim;
a lucidez dolorosa de dizer: “Esse ciclo já acabou, mas eu é que não consigo soltar.”
Às vezes, a primeira luz do seu ano não será uma meta bonita.
Será um ponto final corajoso:
numa relação que já te destrói há anos;
num trabalho que te adoece;
numa forma de viver que já não cabe mais.
Luz, aqui, é dor e libertação ao mesmo tempo.
Na parte final da live, eu fiz algumas perguntas que você pode transformar num pequeno Raio-X de Luz pessoal:
Você sabe quanto deve, exatamente, se está endividada?
Você sabe quantas horas reais trabalha por semana?
Tem horário sobrando pra construir o que você diz que sonha?
Quando foi a última vez que você fez um check-up e olhou de verdade para a sua saúde?
Você já parou pra escrever tudo que faz no dia e na semana, ou vive correndo atrás dos compromissos, apagando incêndio?
Talvez o seu primeiro “Haja Luz” seja algo muito simples e muito concreto:
abrir o extrato e encarar os números;
pegar papel e caneta e montar sua agenda semanal como ela é, não como você gostaria que fosse;
marcar aquela consulta que você empurra há meses;
ter uma conversa honesta que você vem evitando.
Lembre-se:
“Haja Luz” não é “resolva tudo”. É “veja com verdade”.
A bagunça não desaparece quando você acende a luz, mas você para de tropeçar no escuro.
No consultório, eu vejo isso acontecer muitas vezes.
A pessoa chega e diz:
“Eu nem sei direito o que eu quero.
Só sei que não dá mais pra continuar assim.
Então eu tô aqui.”
Esse “eu tô aqui” já é Haja Luz.
É o sim primordial da alma:
antes de saber o método,
antes de ter a ferramenta perfeita,
antes de ter clareza total.
É um sim que às vezes vem cansado, chorando, com medo.
Mas é um sim.
Na jornada Do Caos ao Cosmos, essa é a nossa primeira chave:
Antes de criar metas, acenda a luz.
Antes de prometer um 2026 impecável, se permita ver como terminou 2025.
Antes de se culpar, se ilumine.
Quero deixar três frases pra você guardar:
“O caos não te define, mas te aponta onde falta luz.”
“A luz não arruma a casa, mas muda o jeito de você olhar pra bagunça.”
“Haja Luz é o primeiro sim: o sim de quem decide enxergar, mesmo sem saber ainda o que fazer.”
Se, ao acender essa luz, você perceber dores muito profundas, sensação de esgotamento, pensamentos de desesperança, lembre-se:
você não precisa atravessar isso sozinha.
Buscar um(a) psicólogo(a), um apoio profissional, também é um jeito de dizer:
“Haja luz sobre a minha história – e que eu tenha companhia pra atravessar esse caminho.”
Que esse primeiro portal da nossa jornada faça isso em você:
não um milagre instantâneo, mas um começo lúcido.
De resto, a gente vai caminhando juntas, dia após dia, chave após chave,
do caos ao cosmos – com luz. 🌟
Fique por dentro das nossas novidades.
Copyright @ Instituto Logos. Todos os direitos reservados Docksan